sábado, 9 de maio de 2015

ERA UMA, VEZ UM RIO

Certa vez, quando eu devia ter uns 15 anos, um amigo do meu pai nos levou para pescar no Rio dos Patos, um riacho próximo de Promissão/SP, afluente do Tiete.
Era uma pescaria de lambaris, mas com um detalhe, aqueles eram os maiores lambaris que já havia visto (ou voltaria a ver), medindo quase um palmo da cabeça ao rabo. Valentes, vergavam para valer nossas varinhas de bambu.
Havia muitos, a cada curva de rio, a cada corredeira, era só jogar a isca e pegar. Matamos tudo que pegamos, claro (que mal há em levar uns lambaris para casa?). Todos os pescadores que iam lá faziam a mesma coisa.
Fiquei maravilhado com aquele riozinho e seus lambaris gigantes, tanto que voltei lá algumas vezes nos anos seguintes. Mas... cada vez que voltava, os peixes diminuíam, em tamanho e quantidade, até que aquele rio se tornasse apenas mais um, dilapidado, cansado.
Não sei por que lembrei dessa história agora. Mas ela se repete e se perpetua. 
Está acontecendo agora, em algum rio por aí. Uma tristeza.

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